Sabe aquela bonequinha de trapo ali na estante?
Sou eu.
Toda costurada, remendada?
Eu mesma.
Certa vez, tive que costurar o dedinho mindinho do pé
Quase voou fora por causa da quina da mesa
Esse foi fácil
Doeu mesmo foi a topada.
Noutra ocasião, foi o braço que caiu
Não lembro o porquê
Também não foi tão complicado
Apesar de eu o ter costurado com apenas uma das mãos.
O mais difícil de todos
O mais difícil mesmo
Foi remendar meu próprio coração
Esse doeu. Doeu doeu doeu.
Não tinha linha suficiente
Tive que usar umas lágrimas que caíam
Pra colar uns caquinhos aqui e acolá.
Com o tempo, nasceu um tecido vermelho bonitinho por cima
Hoje ele ajuda a esconder as costuras.
Sabe aquela bonequinha de retalhos ali na estante?
Sou eu.
Ouço o coração dela bater daqui
Eu mesma.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Caminho
Luzes
Túneis
Rabiscos
Rascunhos
Passagens sem saídas
Turvos sonhos coloridos
Escadas estreitas sem destinos
Festas, frestas, vinhos, portas
Precipício.
Uma multidão de sombras
Numa imensa sala vazia.
Túneis
Rabiscos
Rascunhos
Passagens sem saídas
Turvos sonhos coloridos
Escadas estreitas sem destinos
Festas, frestas, vinhos, portas
Precipício.
Uma multidão de sombras
Numa imensa sala vazia.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Moinho
Seria simples dizer
É apenas um vazio.
Mas há curvas e reentrâncias
Longas artérias
Veias e cavas.
Nesse redemoinho
Todo vazio se prolonga
Toda falta se aprofunda.
Seria mais simples ainda
Sentir apenas raiva.
Mas o mundo é um moinho
De água de mar
Na qual me afogo
Desesperadamente.
Seria fácil estender a mão
Ser puxada dessa imensidão
E equilibrar-se eternamente
Na linha tênue do medo.
Mas quero o gosto do sal
A secar minha boca
A dar-me sede
Nas esperança de ver a linha
Transformar-se em longa estrada
De alguma vida.
É apenas um vazio.
Mas há curvas e reentrâncias
Longas artérias
Veias e cavas.
Nesse redemoinho
Todo vazio se prolonga
Toda falta se aprofunda.
Seria mais simples ainda
Sentir apenas raiva.
Mas o mundo é um moinho
De água de mar
Na qual me afogo
Desesperadamente.
Seria fácil estender a mão
Ser puxada dessa imensidão
E equilibrar-se eternamente
Na linha tênue do medo.
Mas quero o gosto do sal
A secar minha boca
A dar-me sede
Nas esperança de ver a linha
Transformar-se em longa estrada
De alguma vida.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
À margem
os dias
se resumem
a acordar
sofrer espasmos
alegrias tristes
deitar
dormir
esperança vã
de acordar de novo
e velada de não acordar
os dias
se resumem
e a vida
passa
longa
ao largo
passa
se resumem
a acordar
sofrer espasmos
alegrias tristes
deitar
dormir
esperança vã
de acordar de novo
e velada de não acordar
os dias
se resumem
e a vida
passa
longa
ao largo
passa
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